segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A MODA DE GLORIA KALIL POR ANGELO BUCCI

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Que moda e arquitetura tem um sério caso de amor, isso nao é novidade nenhuma. Já dizia a grande dama da alta costura Coco Chanel que moda e arquitetura é a mesma coisa mas em outras proporções. Isso porque tanto na moda quanto na arquitetura são levado em consideração a escala, a textura, os materiais, a luz e sombra e uma série de outros fatores tão comuns nessas duas disciplinas.  Hussein Chalayan, Nicolas Ghesquière, Balenciaga ou Glória Coelho são exemplos de estilistas que atravessaram a fronteira da moda e, imbuídos da boa arquitetura, constroem peças fantásticas em suas coleções. 

Agora, o que esperar quando uma das mais importantes consultoras de moda e estilo do país, Glória Kalil, resolve encomendar o projeto de sua casa de final de semana dentro da cidade de São Paulo? E se o arquiteto escolhido for Angelo Bucci?  

A resposta veio através deste projeto, de traço autoral onde o concreto parece flutuar. 



 
  
Abaixo, confira a entrevista que Angelo Bucci cedeu à Revista Arquitetura e Construção.

O que lhe agrada nesta obra?
Justamente o fato de não saber muito bem como nomeá-la. Uma casa? Um refúgio de fim de semana? Isso me obrigou a pensar de outro modo. Gosto, então, de brincar com a pergunta: você conhece uma casa com piscina, mas e uma piscina sem casa? Normalmente, ela é um acessório, assim como o jardim, porém aqui acontece o contrário. A residência é o programa primordial da arquitetura. E a função que lhe dá sentido, seu núcleo, é o morar. Como fazer um projeto no qual esse núcleo não existe? Trata-se de um assunto muito rico para a arquitetura.






E como analisa a construção diante da cidade?
Foi interessante ouvir dos proprietários que queriam ficar em São Paulo, evitar o trânsito. Este projeto nasceu no contra fluxo do tráfego. Ele alivia o movimento de saída dos carros, esvazia as ruas, ocupa a cidade quando ela tende a ficar deserta. Curioso observar o desejo de obter não o máximo de coeficiente construtivo e aproveitamento, mas o máximo coeficiente de jardim e de luz. No contexto de um bairro, isso é muito produtivo. 

Suspender a raia foi essencial?
Ao pensar numa piscina, vem a ideia imediata de um tanque enterrado. Assim, no entanto, ela estaria sujeita à sombra dos vizinhos. Propus elevá-la porque, aqui, a superfície está em cima. E ela está orientada exatamente no sentido da rota dos aviões – temos até o mapa de aproximação. Gosto dessa imagem criada num cenário tão urbano.





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