segunda-feira, 24 de novembro de 2014

PONTO DE VISTA: PAOLO RIDOLFI

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Desde a infância, quando passava temporadas no Rio de Janeiro passeando pelo Museu de Arte Moderna (MAM), o maringaense Paolo Ridolfi sabia que seria artista plástico – mesmo que a convicção não fosse tão comum, ainda mais para quem vivia em uma cidade do interior. A suposta “limitação” que Maringá poderia impor não foi desculpa para que Ridolfi não fosse longe na profissão: museus como o Oscar Niemeyer (MON) e a coleção Marcantônio Vilaça, uma das mais importantes do país, têm obras suas.


Nascido em Maringá em 1962 e filho de pais cariocas, Ridolfi diz que o ambiente familiar (toda a família é envolvida na área e gosta de colecionar arte) o estimulou, mas acredita que foi uma identificação pessoal que o fez seguir o caminho. “Tenho três irmãos e eles não se flecharam por isso.”

As visitas ao MAM do Rio foram alguns dos momentos mais marcantes, e decisivos, para saber que trabalharia com arte. “Era muito fascinante cada vez que eu olhava para o MAM, não só para as obras nas paredes, mas também para o prédio”, conta.


Apesar de se sentir muito confortável em museus – ele fala que é impossível não se emocionar quando fica embaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) – pode-se dizer que Ridolfi tem uma relação ambígua com os grandes espaços. O fato de suas obras serem expostas em uma instituição pública o satisfaz. “Fico feliz de imaginar que pessoas que não conheço possam ver o meu trabalho, gostar, ou achar feio.” Mas ele também aprecia a ideia da obra de arte dentro de casa. “O museu é mais instável para a obra. Ela viaja, vai para uma exposição, fica no acervo. Em um ambiente de colecionador, a convivência pode criar uma intimidade com a obra. Isso enriquece a relação com o espectador”, crê.




O estímulo das grandes cidades é algo importante para Ridolfi, mas ele não abre mão de Maringá. “Gosto de morar numa cidade pequena, onde eu possa voltar e almoçar em casa. Com esposa e filhos, talvez eu ficasse mais preocupado se morasse em uma cidade maior.” Representado pela SIM Galeria (de Curitiba), o artista enxerga na distância uma vantagem. “O trabalho tem de amadurecer para ganhar o mundo. Gosto que outras pessoas olhem para a possibilidade de morar no interior e fazer seu trabalho artístico.”

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