terça-feira, 10 de março de 2026

JULIANA VASCONCELLOS

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COLEÇÃO NOMAD | JULIANA VASCONCELLOS

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 As peças de Juliana são inspiradas em formas arquitetônicas e refletem uma profunda ligação com práticas ancestrais e sua origem mineira. A coleção Nomad, composta por estantes, sofás, escrivaninhas e aparadores, apresenta elementos de madeira tingida com terra local, além de tapeçarias inspiradas na topografia da região. Estas peças não só se conectam com o passado através da ressignificação de práticas antigas, mas também abraçam o futuro através da incorporação de novos materiais e técnicas de design.









CASA ZALSZUPIN | ETEL

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Quase escondida da rua, aninhada sob e atrás de uma árvore centenária de grandes proporções, a residência de Jorge Zalszupin surge como um verdadeiro refúgio arquitetônico em meio à cidade. Mais do que uma casa, o espaço é a tradução sensível do pensamento de um dos nomes mais importantes do design e da arquitetura no Brasil. Agora, esse endereço emblemático ganha um novo significado: torna-se a Casa Museu Zalszupim, iniciativa da Etel em parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte, dedicada à preservação, pesquisa e difusão do legado do criador.



A casa, onde Zalszupin projetou e viveu por quase 60 anos, carrega em cada detalhe a potência de sua linguagem autoral. Sua arquitetura remete ao encontro entre influências escandinavas e brasileiras, revelando um repertório sofisticado e profundamente experimental. Como explica Carmona, “é uma casa onde ele experimentou muito com referências diferentes, mesclando-as, desde elementos tradicionais brasileiros, como os tratamentos de paredes em estuque bruto, até o teto curvo de madeira com aspecto escandinavo”.



Esse diálogo entre universos distintos é percebido não apenas nos materiais e nas formas, mas também na maneira como os espaços foram concebidos. Os interiores apresentam uma sequência cuidadosamente orquestrada de contrações e expansões espaciais: tetos baixos se abrem em ambientes de pé-direito duplo, enquanto aberturas estrategicamente posicionadas calibram a entrada de luz e os enquadramentos da paisagem. O resultado é uma experiência imersiva, marcada por acolhimento, abrigo e surpresa.





É justamente nesse cenário tão singular que Etel e Almeida Dale inauguram uma nova fase. Com a criação da Casa Museu Zalszupin, a residência será transformada em um centro de referência voltado à documentação, pesquisa e difusão de um acervo de enorme relevância cultural. No futuro, o espaço abrigará também a sede do Instituto Jorge Zalszupin, ampliando ainda mais o alcance de sua contribuição para a história do design brasileiro.

A iniciativa nasce com o propósito de resguardar e compartilhar o patrimônio de Zalszupin, mas também de fomentar novas leituras sobre sua obra e seu tempo. Ao abrir a casa ao público e à pesquisa, o projeto propõe uma aproximação viva com seu legado, conectando arquitetura, mobiliário, arte e memória.





A parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte fortalece essa vocação. Em sintonia com os valores da Etel e com a missão de promover a arte brasileira, a galeria se une ao projeto com o objetivo de manter o espaço em constante diálogo com grandes nomes da história do design e da arte no país. Mais do que preservar, trata-se de ativar a casa como um lugar pulsante, onde passado e presente se encontram.




A Casa Museu Zalszupin representa, assim, um marco na valorização do design nacional. Ao transformar a antiga residência do designer em um centro de memória e criação, Etel e Almeida Dale não apenas protegem um patrimônio essencial, mas também oferecem ao público a oportunidade de experienciar de perto a riqueza de uma obra que ajudou a moldar a identidade do design brasileiro.

www.casazalszupin.com

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

VINCENT VAN DUYSEN

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Ultimamente tenho estado muito interessado no trabalho de Vincent Van Duysen, e a Residência VO, em Knokke, é um excelente exemplo do porquê estou amando a sua arquitetura.



Localizada numa das vilas costeiras mais sofisticadas da Bélgica, conhecida pelas casas brancas com telhados inclinados, esta habitação foi pensada como casa permanente para o proprietário e a sua família. Implantada junto ao Royal Golf Course, o projeto beneficia de vistas amplas sobre o campo e sobre os jardins privados protegidos, desenhados pelo paisagista Martin Wirtz.

A arquitetura é marcada por grandes volumes monolíticos em tijolo caiado de branco, inseridos de forma simples na paisagem verde, e por um imponente telhado de colmo que define a identidade da casa. O resultado é uma interpretação contemporânea da villa tradicional de Knokke: moderna, mas enraizada na linguagem local.

Os volumes em alvenaria organizam os espaços e criam um equilíbrio entre abertura e recolhimento: em alguns pontos, a casa enquadra vistas para o exterior; noutros, protege-se e garante privacidade. O acabamento em cimento lavado, num tom osso, reforça a continuidade entre o interior e o exterior, enquanto as janelas minimalistas mantêm a relação constante com a paisagem.






No exterior, terraços, piscina e um pool house completam o conjunto, permitindo diferentes formas de usufruir do lugar e da luz ao longo do dia. Já no interior, os materiais e acabamentos surgem com um nível de detalhe mais refinado e sofisticado, criando contraste com a expressão mais crua do telhado e da alvenaria.


A atmosfera muda de acordo com cada ambiente: a sala principal destaca-se pelo pé-direito duplo e o teto em madeira escura, enquanto a cozinha assume um caráter mais acolhedor, com madeira natural. O escritório e o quarto principal reforçam a sensação íntima através de acabamentos em couro e papel de parede vegetal. O spa, revestido em mosaico verde, fecha a casa com um espaço calmo e essencial.


Fotografia: Hélène Binet e François Halard.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

E POR FALAR EM PAOLA LENTI ...

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Residencial privada no Rio de Janeiro com projeto de Arthur Casas e mobiliario Paola Lenti.




CHEZ VISITA | FABRICA E SHOWROOM PAOLA LENTI

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Conhecida mundialmente como a rainha do mobiliário outdoor, Paola Lenti construiu uma trajetória singular em um mercado altamente competitivo — e historicamente masculino — guiada pela delicadeza, sensibilidade e por uma visão autoral inconfundível. Seu design, livre de amarras formais, aliado ao uso ousado e expressivo das cores, transformou a marca em um dos nomes mais aguardados do Salone del Mobile, onde seus lançamentos fazem o mundo do design literalmente parar para observar.


A história da marca começou com tapetes. Peças que, desde o início, já revelavam um profundo cuidado com matéria-prima, textura e cor. Em pouco tempo, o portfólio se expandiu de forma orgânica até alcançar o que vemos hoje: uma coleção completa capaz de vestir a casa inteira, do indoor ao outdoor, sem distinções rígidas. Essa evolução fica clara no novo showroom da marca em Milão, concebido como um apartamento cheio de personalidade, onde cada ambiente explora, em diferentes camadas, o DNA da designer.

Apartamento Paola Lenti no show-room em Milão

Tive o privilégio de ser convidado pela Paola Lenti para uma experiência rara: conhecer de perto a fábrica da marca, localizada na região de Meda, próxima ao Lago de Como, e, na sequência, visitar o recém-inaugurado showroom em Milão. Foram três dias de imersão total no universo da marca — uma vivência que aprofunda o olhar e muda a forma como passamos a perceber cada peça.


Saí dessa experiência profundamente impactado pela obsessão da marca pelas cores e, sobretudo, pela tecnologia aplicada em cada criação. Um dos exemplos mais emblemáticos é o fio bouclê desenvolvido a partir de plásticos reciclados. O resultado surpreende não apenas pela inovação sustentável, mas pelo toque extremamente confortável do tecido, que poderia facilmente ser utilizado em ambientes internos, desafiando a fronteira tradicional entre indoor e outdoor.









Outro detalhe que revela o nível de pesquisa envolvido está nos metais utilizados nas peças. Mesmo quando sofrem pequenos riscos, o próprio oxigênio presente no ar ativa um processo de restauração natural, garantindo longevidade e beleza contínua ao material.
 



Visitar a fábrica e o showroom da Paola Lenti é entender que, por trás de cada cor vibrante e cada forma, existe um pensamento profundo, uma engenharia sofisticada e uma sensibilidade rara. Um design que não busca apenas encantar o olhar, mas criar conexões duradouras entre pessoas, espaços, tempo e natureza.

sábado, 27 de dezembro de 2025

A ARTE DE SABER OBSERVAR | HOTEL

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 Quando comecei a minha carreira como arquiteto, lá por volta de 2014, eu tive a sorte — e ouso dizer o privilégio — de trabalhar em um dos maiores escritórios de interiores de Curitiba. Sorte mesmo, porque o arquiteto diretor do ateliê era praticamente uma lenda urbana: respeitadíssimo, brilhante, dono de um talento incontestável… e um tantinho teatral. Um Miranda Priestly da arquitetura.

Sua personalidade forte lhe rendeu alguns desafetos no meio profissional, mas também ajudou a consolidar seu personagem. A maioria das pessoas o temia. Alguns colegas do escritório chegavam a prender a respiração quando ele passava pelo corredor. Mas, por algum motivo misterioso do universo (ou do design), ele simpatizava por mim. E eu, confesso, simpatizava muito por ele.

Nos dias cinzas e nublados de Curitiba —, quando ele claramente não estava muito afim de trabalhar, me chamava para a biblioteca do escritório. Ali, sobre a luz amarelada do Pipistrello, passávamos horas folheando edições antigas da Casa Vogue ou revistas francesas de decoração que ele importava de suas inúmeras viagens à sua cidade preferida: Paris, évidemment.

— Lino, você conhece Paris?
— Ainda não… é o meu sonho — respondi, no melhor tom Andy Sachs antes do extreme makeover e das botas da Chanel.
— Você vai amar. Mas precisa fazer direito. Você tem que tomar um café da manhã no Crillon. Ou um brunch. Aquilo é incrível. As tapeçarias, a decoração… tudo é muito precioso.
— Ir num hotel? — perguntei, meio atordoado.
— E por que não?

Foi então que ele me deu uma aula que eu carrego até hoje, quase como um mantra profissional:

— Aprende uma coisa: nós, que não nascemos em berço de ouro, precisamos ser curiosos. Precisamos estar atentos àquilo que nos constrói. Se você não tem dinheiro para se hospedar nos melhores hotéis do mundo, projetados pelos melhores artistas do mundo, pelo menos vá tomar um café. Observe. Veja cada detalhe. Inspire-se.

Aquilo ficou ecoando na minha cabeça. E fazia todo sentido.

— Eu, por exemplo, juntei dinheiro para ficar hospedado no Plaza Athénée. Foi divino. De vez em quando precisamos disso. É vital para nos mantermos vivos. 


Minha primeira vez em Paris

Alguns anos depois, finalmente aterrissei pela primeira vez na Cidade Luz. E fui direto cumprir os conselhos do meu mestre, como um bom discípulo aplicado. Me arrumei com cuidado quase cerimonial: blazer de botões dourados, mocassins Gucci e coragem. Pela primeira vez, pisei no Hôtel de Crillon. Meus olhos simplesmente não davam conta de absorver tanta beleza. Era como entrar em um livro de história — só que vivo, sensorial, tridimensional.




Foi ali que minha forma de enxergar a arquitetura, especialmente a de interiores de hotelaria, mudou completamente. Entendi que hotéis não são apenas lugares para dormir. São cenários, narrativas, experiências cuidadosamente coreografadas. Cada luminária, cada textura, cada aroma tem um papel. A hotelaria ensina sobre acolhimento, sobre ritmo, sobre como fazer alguém se sentir especial — nem que seja por um café.



Desde então, não perco a oportunidade de entrar em um hotel com o singelo pretexto de tomar um cafezinho, um drink ou uma sobremesa. De quebra, absorvo detalhes, atmosferas e sensações que só estando no espaço conseguimos captar. Porque projeto de interiores de hotelaria não se aprende apenas em plantas ou renders impecáveis. Aprende-se vivendo. Ou, como diria meu antigo chefe: com curiosidade, bons sapatos e um café bem tomado.